2026-09-30 (IPMA)
Com o objetivo de reforçar a capacidade de monitorização e avaliação do estado ambiental das zonas costeiras de Portugal, entre os 10 e os 50 metros de profundidade, a campanha DQEM-MONICOST terminou a 21 de setembro, no Algarve, após concluir a amostragem entre Sagres e Vila Real de Santo António.
A missão teve início a 4 de setembro, na região da Nazaré e de Peniche, e, através da recolha sistemática de dados sobre os ecossistemas marinhos, procurou compreender o estado das comunidades marinhas e acompanhar a evolução das espécies e comunidades indicadoras, contribuindo para a avaliação do Bom Estado Ambiental (BEA) do meio marinho, no âmbito da Diretiva-Quadro Estratégia Marinha (DQEM).
Mais especificamente, a DQEM-MONICOST é um programa de monitorização da zona costeira concebido para dar cumprimento aos objetivos de avaliação dos descritores da biodiversidade, das populações de peixes e moluscos comerciais, das teias tróficas e da contaminação de peixes e mariscos destinados ao consumo humano. Contribui também para a estimação de indicadores relativos aos descritores das espécies não indígenas, da integridade dos habitats e do lixo marinho, entre outros compromissos associados à gestão e monitorização do meio marinho.
Este programa foi desenvolvido tendo em conta a escala temporal de reporte dos ciclos da DQEM, a maximização da informação recolhida para vários descritores e a representatividade e periodicidade das áreas a amostrar ao longo da costa, considerando gradientes ambientais e zonas sujeitas a pressão antropogénica. Desta forma, pretende otimizar a relação entre os custos e a sua implementação ao longo do tempo.
Nos recifes rochosos, foram utilizados sistemas de vídeo subaquático com isco, os stereo-BRUVs (Baited Remote Underwater Video), equipamentos colocados no fundo que permitem filmar as comunidades de peixes e outros organismos nas proximidades. Já nos fundos de substrato móvel, como os arenosos, foram utilizadas redes de arrasto de fundo para recolher espécies bentónicas e bentopelágicas que, além de permitirem a avaliação dos níveis de biodiversidade, são posteriormente processadas em laboratório.
A monitorização realizada permitirá comparar diferentes habitats e profundidades e perceber como varia a biodiversidade quer ao longo da costa, quer com o passar do tempo, em locais sujeitos a diferentes tipos de pressão humana. O programa possibilitará ainda investigar diferentes aspetos da biologia e ecologia das espécies, incluindo a alimentação e as relações tróficas, as relações entre os organismos e o ambiente, a presença de contaminantes e parasitas, entre outros indicadores da saúde dos organismos.
Ao combinar vídeo subaquático, amostragem por arrasto e análises laboratoriais, a campanha permite obter uma visão mais completa dos ecossistemas costeiros. Os dados recolhidos contribuirão para avaliar o estado do mar e o BEA, acompanhar as alterações que estão a ocorrer e produzir informação científica que apoie a conservação e a gestão sustentável dos ecossistemas marinhos.
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