2026-09-09 (IPMA)
O IPMA realizou, entre 15 e 17 de agosto de 2026, uma campanha científica multidisciplinar no âmbito do projeto Á"reas Marinhas Protegidas Oceânicas - AMPO", a bordo do Navio de Investigação (NI) do IPMA Mário Ruivo.
IPMA enquanto Laboratório de Estado e entidade responsável pelo projeto AMPO 2026, realizou uma campanha científica na subárea dos Açores da Zona Económica Exclusiva (ZEE) portuguesa e na região da Extensão da Plataforma Continental adjacente. O projeto é financiado no âmbito do Aviso-convite n.º 01/FAZ/2026 do Fundo Azul e tem como objetivo reforçar o conhecimento científico necessário à conservação e gestão das Áreas Marinhas Protegidas (AMP) oceânicas.
A campanha decorreu contou com a participação de investigadores do IPMA, da Universidade dos Açores – OKEANOS, da Universidade de Lisboa – MARE-ULisboa, da Universidade de Aveiro, Azores Life Science, DMAD da Turquia, entre outras instituições. As atividades desenvolvidas permitiram recolher informação multidisciplinar sobre habitats e comunidades bentónicas, espécies formadoras de habitat, comunidades mesopelágicas, mamíferos e aves marinhas, bem como sobre as condições oceanográficas e físico-biogeoquímicas.
Para a caracterização dos habitats e identificação de Ecossistemas Marinhos Vulneráveis (VME) foram realizadas observações não destrutivas do fundo marinho com recurso ao sistema SeaSpyder Deep Drop Camera System. A ocorrência de mamíferos e aves marinhas foi avaliada através de censos visuais, complementados por monitorização acústica passiva (PAM), permitindo ainda caracterizar o ambiente acústico submarino e identificar fontes de ruído antropogénico.
A caracterização das comunidades mesopelágicas recorreu à sonda acústica EK80 e a amostragens com rede IKMT. Foram ainda recolhidas amostras para identificação taxonómica, estimativa de abundância e análises de ADN ambiental (eDNA) e sequenciação de ADN. Paralelamente, através de CTD e Rosette, foram obtidos dados sobre parâmetros oceanográficos, biogeoquímicos e biológicos ao longo da coluna de água.
Outra das componentes da campanha incidiu nos levantamentos batimétricos e geológicos, particularmente nas áreas que requerem informação de maior detalhe sobre a morfologia e o tipo de fundo marinho. Foram utilizados sondadores acústicos, incluindo sistemas de multifeixe e sonar lateral, e o perfilador de fundo Sub Bottom Profiler TOPAS PS18, que permite obter imagens acústicas da estrutura sub-superficial do fundo, contribuindo para a caracterização da espessura dos sedimentos e das suas características.
Os dados recolhidos constituirão uma base científica fundamental para caracterizar e monitorizar a biodiversidade e os habitats das AMP oceânicas, apoiar a definição dos respetivos planos de gestão e contribuir para o desenvolvimento de programas de monitorização. Os resultados serão também relevantes para a implementação da Rede Nacional de Áreas Marinhas Protegidas (RNAMP), incluindo a Rede de Áreas Marinhas Protegidas dos Açores (RAMPA), para a Diretiva-Quadro Estratégia Marinha (DQEM) e para o Plano de Situação do Ordenamento do Espaço Marítimo Nacional (PSOEM).
A campanha AMPO 2026 reforça, assim, o contributo do IPMA e da comunidade científica nacional para a produção de conhecimento sobre o oceano profundo, essencial para apoiar políticas públicas de conservação da biodiversidade marinha e promover uma utilização sustentável do espaço marítimo.
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