2026-10-08 (IPMA)
Portugal continental foi afetado, entre os dias 2 e 6 de outubro de 2026, por episódios de forte instabilidade atmosférica, associados a uma depressão do tipo gota-fria, que originou aguaceiros fortes, trovoada, queda de granizo e vento forte em vários locais.
No início deste período, a perturbação sofreu um ligeiro cavamento sobre a Galiza, dando origem a um núcleo depressionário que se deslocou lentamente para sudoeste, afetando progressivamente o território continental e centrando-se, a partir do dia 4, a oeste da costa ocidental portuguesa.
A depressão transportava uma massa de ar quente, muito instável e com elevado conteúdo em água precipitável. A fraca circulação atmosférica favoreceu a deslocação lenta das células convectivas, permitindo que algumas áreas fossem afetadas durante períodos prolongados e, em alguns casos, por sucessivas células de precipitação. Estas condições contribuíram para a ocorrência de inundações repentinas e queda de granizo.
Na região do Alentejo. durante a manhã do dia 4, as condições atmosféricas favoreceram a formação de um conjunto organizado de células de tempestade, com precipitação contínua ao longo de, pelo menos, 100 km, habitualmente designada por sistema convectivo de mesoescala (ver figura 1).
Em Manteigas, no distrito da Guarda, o episódio ocorrido no final do dia 2 foi particularmente significativo. Entre as 21:30 e as 22:30 UTC registou-se precipitação muito forte, por vezes acompanhada de granizo, que se prolongou por mais tempo. As imagens de radar mostram a persistência deste episódio (figuras 2 e 3). A tempestade foi também acompanhada por forte atividade elétrica, tendo-se registado o maior número de descargas atmosféricas entre as 23:00 e as 24:00 UTC (figura 4).
No sul do território, Santiago do Cacém, no distrito de Setúbal, foi afetado no dia 4 por precipitação muito forte e queda significativa de granizo, associadas também a elevada frequência de descargas elétricas atmosféricas (ver figura 5).
Os modelos de previsão numérica do tempo permitem identificar áreas onde existe maior probabilidade de ocorrência destes fenómenos, mas apresentam limitações na previsão exata do local, período e intensidade da convecção. Assim, nem todos os locais abrangidos por um aviso meteorológico serão necessariamente afetados pelos fenómenos previstos.
Consulte a informação mais detalhada no link abaixo.
Imagens associadas
Figura 1 - Imagem de refletividade, projeção de máximos no plano horizontal, expresso em dBZ. Radar de Coruche/Cruz do Leão, 08:50 UTC, 04/10/2026.
Figura 2 - Imagem de refletividade, baixa elevação (painel esquerda), expresso em dBZ, com segmento de corte (AB), sobre o qual foram examinados em secção de corte os campos da refletividade (painel direita superior) e da classificação do tipo de hidrometeoros (painel direita inferior). Manteigas situa-se a meio do segmento de corte. Radar de Arouca/Pico do Gralheiro, 21:40 UTC, 02/10/2026. Radar localiza-se no extremo superior esquerdo.
Figura 3 - Imagem de refletividade, baixa elevação (painel esquerda), expresso em dBZ, com segmento de corte (AB), sobre o qual foram examinados em secção de corte os campos da refletividade (painel direita superior) e da classificação do tipo de hidrometeoros (painel direita inferior). Manteigas situa-se a meio do segmento de corte. Radar de Arouca/Pico do Gralheiro, 22:20 UTC, 02/10/2026. Radar localiza-se no extremo superior esquerdo.
Figura 4 - Atividade elétrica (raios nuvem-solo), período 21-24 UTC, 02/10/2026, região Centro. Visivel o padrão da atividade elétrica correspondente ao aglomerado convectivo detalhado nas figuras 1 e 2. Rede IPMA de deteção de descargas elétricas atmosféricas.
Figura 5 - Imagem de refletividade, baixa elevação (painel esquerda), expresso em dBZ, com segmento de corte (AB), sobre o qual foi examinado em secção de corte o campo da classificação do tipo de hidrometeoros (painel direita). Santiago do Cacém situa-se a meio do segmento de corte. Radar de Coruche/Cruz do Leão, 11:50 UTC, 04/10/2026.