2026-09-07 (IPMA)
O Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) passou a disponibilizar informação, atualizada mensalmente, resultado da monitorização de dois dos principais padrões de variabilidade atmosférica no setor Euro-Atlântico: a Oscilação do Atlântico Norte (NAO) e o East-Atlantic Pattern (EA).
Estes dois padrões de circulação atmosférica desempenham um papel importante na variabilidade do clima da Europa e do Atlântico Norte e, em particular, nas condições de precipitação observadas em Portugal continental durante os meses de inverno.
A NAO constitui o principal modo de variabilidade atmosférica no setor Euro-Atlântico e está relacionada com as variações na intensidade e posição relativa do Anticiclone dos Açores e da depressão da Islândia. Em Portugal continental, a sua influência é particularmente relevante durante o inverno estendido, entre novembro e março. De um modo geral, fases negativas da NAO favorecem a deslocação das depressões atlânticas para latitudes mais baixas, aumentando a probabilidade de condições mais chuvosas e húmidas na Península Ibérica, enquanto fases positivas tendem a favorecer condições mais secas e com ausência de precipitação.
O padrão EA, considerado o segundo principal modo de variabilidade atmosférica no Atlântico Norte, apresenta algumas semelhanças com a NAO, embora os seus principais centros de ação se encontrem deslocados para sul. A fase positiva do EA está geralmente associada a uma maior atividade depressionária no nordeste do Atlântico e a condições mais húmidas sobre a Península Ibérica, enquanto a sua fase negativa tende a favorecer condições mais anticiclónicas e secas.
Importa salientar que a atribuição das fases positiva e negativa do EA não é uniforme na literatura científica, existindo diferentes convenções relativamente ao sinal deste padrão. Assim, a interpretação do sinal do índice deve ter em consideração a metodologia e a convenção adotadas na sua determinação.
A importância de ambos os índices nos padrões de precipitação em Portugal continental
A análise conjunta dos dois índices permite compreender melhor alguns dos períodos particularmente secos ou chuvosos registados em Portugal.
A avaliação realizada pelo IPMA mostra que, durante o inverno estendido, a combinação de uma NAO negativa com um EA positivo (NAO−EA+) é especialmente favorável à ocorrência de períodos chuvosos em Portugal continental. Por outro lado, a combinação NAO positiva e EA negativo (NAO+EA−) encontra-se mais frequentemente associada à ocorrência de períodos secos.
Esta informação complementa a monitorização climática realizada regularmente pelo IPMA e contribui para uma melhor caracterização dos mecanismos de circulação atmosférica que condicionam a variabilidade climática em Portugal.
Na nova página é possível acompanhar a evolução dos índices, consultar informação sobre a sua interpretação e descarregar as séries de dados da NAO e do EA, permitindo igualmente a sua utilização para fins científicos e técnicos.
Os índices são determinados com recurso a dados da reanálise ERA5, sendo também considerada informação do sistema de previsão sazonal SEAS5.1, do Centro Europeu de Previsão do Tempo a Médio Prazo (ECMWF), disponibilizada através do Copernicus Climate Change Service (C3S).
Imagens associadas

Figura 1. Principal modo de variabilidade no Atlântico Norte – A NAO, ou Oscilação do Atlântico Norte, caracterizada pela oscilação de intensidade entre um centro de altas pressões situado mais a sul (na região dos Açores) e uma depressão semipermanente situada na região da Islândia. Esta oscilação, bem como as sua implicações, são mais notórias durante os meses de inverno.