BLOOMS DE FITOPLÂNCTON NA COSTA PORTUGUESA

Maria Teresa Moita, Ana Sofia Palma e Maria da Graça Vilarinho

A elevada concentração de células de fitoplâncton, designada por bloom, é normalmente benéfica para a aquacultura e actividade piscatória. No entanto, a proliferação de algumas espécies pode ser responsável pela ocorrência de efeitos nocivos, tanto na cadeia alimentar como, em última instância, a nível da saúde pública, causando também graves perdas económicas na aquacultura, pesca e turismo.

Dependendo das espécies fitoplanctónicas envolvidas, podem diferenciar-se vários tipos de blooms prejudiciais, vulgarmente designados por HABs (Harmful Algal Blooms). De entre estes, distinguem-se os produzidos por:

(i) espécies produtoras de toxinas, que podem ser introduzidas na cadeia alimentar, provocando perturbações gastrintestinais, neurológicas e amnésicas. Estes blooms só raramente produzem alterações da cor da água do mar;

(ii) espécies não tóxicas que se desenvolvem em grande concentração, conduzindo à alteração da cor da água do mar e que, em casos extremos, na fase final do bloom, ocasionam condições de diminuição de oxigénio responsáveis pela morte de peixes e invertebrados;

(iii) espécies não tóxicas, mas prejudiciais para invertebrados e peixes, que provocam danos ou colmatagem das brânquias (Hallegraeff et al., 1995).

BLOOMS TÓXICOS

Na costa portuguesa, os blooms de dinoflagelados como Gymnodinium catenatum são responsáveis por intoxicações do tipo paralisante (PSP, “paralytic shellfish poisoning”); spécies do género Dinophysis tais como D. acuta e D. acuminata causam problemas diarreicos (DSP, “diarrhetic shellfish poisoning”) e a diatomácea Pseudonitzschia australis tem sido associada a problemas de amnésia (ASP, “amnesic shellfish poisoning”) (Fig. 1). A espécie Heterosigma inlandica, microalga da classe Rhaphidophyceae, foi também relacionada com a mortalidade de peixes em aquaculturas, por destruição do tecido epitelial das brânquias.