Sobrevivência da Sardinha após o Slipping na Pesca do Cerco

Sobrevivência da Sardinha após o Slipping na Pesca do Cerco2021-09-16 (IPMA)

Está a decorrer ao largo de Olhão a experiência SLIPPING-21S2, dando continuidade ao estudo da sobrevivência da sardinha, em meio natural, após o destombar ou desenvasar da rede de cerco (slipping, termo em inglês).

Os resultados deste estudo, integrados com dados da monitorização do slipping a nível nacional, permitirão desenvolver, em articulação com o setor, medidas de mitigação do impacto desta prática e contribuirão para melhorar a avaliação da sardinha.

Dos vários pequenos pelágicos capturados pelo cerco, a sardinha é uma espécie frequentemente alvo de slipping, sobretudo em períodos de restrições à sua captura, como tem acontecido nos últimos anos.

O slipping é uma forma de libertação de peixe vivo praticada na pesca do cerco, que está geralmente associada a uma sobrevivência elevada do peixe. Quando a captura não tem interesse para o pescador por diversas razões - questões de mercado, quota, limites de captura ou de tamanho, é libertada manobrando a rede de forma a que o peixe “escorregue” por cima do cabo de flutuação (daí o termo slipping), permanecendo sempre dentro de água. Esta prática tem sido considerada pouco lesiva, mas vários estudos recentes baseados em experiências em cativeiro, indicam que a mortalidade pode ser elevada e apontam formas de a minimizar.

Para esta experiência, a traineira Rio Odiel fez um lance à sardinha e simulou a operação de slipping. Foram transferidas cerca de 1000 sardinhas para duas jangadas experimentais fundeadas junto à costa de Olhão, em dois momentos do recolher da rede: com a rede ainda larga (controlo) e com a rede apertada (tratamento slipping) durante alguns minutos. A sobrevivência e a condição biológica das sardinhas estão a ser monitorizadas diariamente pela equipa do IPMA, estando ainda a ser recolhidas amostras para análise fisiológica do stress a realizar pelo CCMar.

A experiência integra-se no projeto SARDINHA2020, sendo uma colaboração entre investigadores de várias áreas do IPMA (Divisão de Modelação e Gestão dos Recursos da Pesca, Oceanografia e Ambiente Marinho e Estação Piloto de Piscicultura em Olhão - EPPO/IPMA e investigadores do CCMar. Para a realização deste trabalho, o IPMA contou ainda com o apoio da Olhãopesca, do Porto de Recreio de Olhão e da Tunipex.

 

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