Noticias

Estação Piloto de Piscicultura de Olhão

CoLABs

Projetos

Espécies na EPPO

Financiamento

A actividade científica na EPPO é financiada por:

Corvina – Argyrosumus regius

Corvina (Argyrosumus regius)

EN- meagre ; FR –maigre; SP - corvina;

NL – ombervis; DE - umberfish

A corvina é uma espécie familiar para a maioria dos consumidores portugueses, sobretudo a corvina da pesca, cujo tamanho médio comercial ronda os 2 m de comprimento e os 50 kg de peso.

Esta espécie distribui-se ao longo da costa Atlântica, desde o canal da Mancha até ao Senegal, incluindo o Mar Mediterrâneo e o Mar Negro.

Os adultos são solitários ou formam pequenos grupos, habitando águas costeiras (preferencialmente em profundidades de 80 m).

Na altura da reprodução, aproximam-se de zonas estuarinas onde os machos apresentam um comportamento característico, muito útil aos pescadores para as localizar. Produzem fortes roncos gerados pelos músculos abdominais na parede da bexiga gasosa, por isso são vulgarmente conhecidos por peixes roncadores.

INVESTIGAÇÃO

O consumo de pescado continua a aumentar por todo o mundo, levando a um aumento no volume das importações de pescado, sobretudo o processado, e ao estímulo à produção em aquacultura na União Europeia. Este cenário conduziu ao interesse dosector produtivo no cultivo da corvina, desencadeando a investigação sobre esta espécie em vários países mediterrânicos.

Em Portugal, o IPMA, através doprojecto AQUACOR (PROMAR)pretendeu estabelecer as bases sustentáveis para a produção da corvina, através do desenvolvimento de protocolos de cultivos para as diferentes etapas do ciclo biológico, tendo em atenção a qualidade do produto na perspectiva do consumidor e o seu potencial de transformação.

Ao longo da execução do projecto (2009-2015), foram realizados mais de 30 ensaios, envolvendo reprodutores, larvas, juvenis e a engorda, incidindo sobre aspectos de cultivo, sistemas de produção, bem-estar, nutrição, fisiologia e sanidade da espécie. Este projecto serviu de suporte à realização de várias teses de mestrado e doutoramento, permitiu a consolidação e novos contactos com outras instituições de investigação, resultando publicações científicas de relevo

Foi ainda veículo para formação de técnicos e transferência do conhecimento ao sector,tendo-se doado o peixe a instituições de solidariedade social (Segurança Social e o Banco Alimentar) no final dos ensaios de engorda.

Corvina, ovoFig.1: Imagem da Corvina, ovo.

CorvinaFig.1: Imagem da Corvina, recém eclodida, 0 dias.

CorvinaFig.3: Imagem da Corvina com 15 dias

CorvinaFig.4: Imagem da Corvina com 5 meses

PRINCIPAIS RESULTADOS

  • Acondicionamento e manutenção de reprodutores; criação de 2 lotes de reprodutores selvagens (lote: 6 corvinas; biomassa 154 kg) e 6 lotes de reprodutores com corvinas produzidas na EPPO (lote: 10 corvinas; biomassa 54 kg). Validação da qualidade das posturas obtidas, com taxas de eclosão acima dos 90%.
  • Optimização do cultivo larvar, apresentando taxas de crescimento e sobrevivência bastante superiores às da dourada e do robalo! Atingem 1g em 40 dias.
  • Aceitabilidade de dietas inertes nas primeiras 2 semanas.
  • Baixa incidência de malformações ósseas.
  • Os requisitos em proteína são acima dos 50%, sendo possível incluir ingredientes vegetais sem afectar o crescimento, a capacidade digestiva e a integridade intestinal.
  • Após a fase de juvenil preferem luminosidades mais baixas e apresentam melhores crescimentos a temperaturas superiores a 20ºC.
  • Cultivo compatível com robalo e dourada em policultivo, mas melhor em monocultura, tanto em tanques de terra como em jaula. Boa resistência a doenças.
  • Comercialização da corvina acima de 1,5 kg, importante para sectores de processamento e transformação (ex: filetagem, congelação, etc.).
  • A corvina atinge 1,5 kg de peso no mesmo período em que a dourada atinge as 400g.
  • A corvina apresenta boa textura, elevado valor nutricional, bons níveis de ómega 3 apesar de ser considerada uma espécie magra.

Resumindo esta espécie apresenta um elevado potencial de cultivo, o consumidor já está habituado à sua presença no mercado pelo que a sua produção poderá contribuir para suprir as necessidades de pescado ao nível nacional, contribuindo para reduzir as importações de pescado.