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Estação Piloto de Piscicultura de Olhão

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Espécies na EPPO

Financiamento

A actividade científica na EPPO é financiada por:

Dourada – Sparus aurata

Dourada (Sparus aurata)

EN - Gilthead seabream, Fr - Dorade royale, Es - Dorada

O nome vulgar desta espécie, dourada, é dado pela faixa dourada localizada ao nível inter-orbital. O corpo exibe uma forma oval e comprimido, a cor predominante é cinza prateada, existindo uma mancha negra na origem da linha lateral que se estende na margem superior do opérculo. Os habitats preferenciais da dourada são fundos arenosos e rochosos com algas, próximos da costa com profundidade entre 15-30m. Geralmente possuem um comportamento sedentário, podendo ser solitário ou frequentar pequenos grupos. Esta espécie é omnívora - carnívora e muito raramente herbívora, destaca-se como alimento os moluscos bivalves, crustáceos e peixes.

A dieta é variável ao longo da idade do peixe: os juvenis alimentam-se de poliquetas e crustáceos e os adultos principalmente de moluscos (lamelibrânquios e gastrópodes), crustáceos, equinodermas e ascidáceos. A dourada atinge a maturidade sexual a partir do 2 ano de vida. De referir que a dourada pertence ao grupo de espécies que muda de sexo, neste caso caracteriza-se por apresentar um hermafroditismo protândrico, ou seja, a gónada masculina aparece primeiro. Com o crescimento e desenvolvimento ocorre inversão de sexo, pelo amadurecimento da gónada feminina.
A dourada foi uma das primeiras espécies marinhas a ser produzida em aquacultura, continuando a ser uma das principais espécies produzidas no Mediterrâneo (Grécia, Turquia, Itália, Espanha e Portugal). Dependendo das condições (sobretudo temperatura) o período de cultivo varia entre 18 e 24 meses para alcançar 400g. O tamanho comercial cerca das 400 g podendo ser comercializada 1.5kg.


A.

B.

Figura 1 – Aspectos da amostragem final de um ensaio de nutrição com dourada. A – Captura dos peixes com xalavar; B – Utilização do ictiómetro para determinar o comprimento da dourada.

INVESTIGAÇÃO

A investigação em Portugal com a dourada teve início nos anos 80, ainda com a designação institucional de INIP, juntamente com o robalo e posteriormente o linguado. À semelhança destas espécies a investigação, incidiu sobre o conhecimento dos requisitos biológicos básicos para cultivo da dourada em cativeiro, tais como condições zootécnicas para as diferentes fases de cultivo, proporção de machos e fêmeas ideal para obtenção de posturas, desenvolvimento dos protocolos alimentares (rotíferos e artémia), entre outros. Apesar de uma fase larvar em que são muito susceptíveis à manipulação, na fase juvenil a dourada é uma espécie consideravelmente mais resistente do que com outras espécies marinhas, sendo bastante tolerante às variações climáticas e ao tipo de alimento nas fases de desenvolvimento posteriores. Estas características tornaram a dourada uma das espécies mais importantes da aquacultura marinha, sendo por isso utilizada como uma espécie modelo em muitos estudos de investigação, para a qual se desenvolveram muitas ferramentas moleculares que permitem aprofundar o conhecimento sobre vários processos biológicos.
Actualmente a investigação desenvolvida na EPPO em dourada tem incidido na optimização de sistemas de produção em policultivo (outras espécies), na optimização de formulações nutricionais salvaguardando o bem-estar da dourada (desde larva até à fase adulta), na definição de parâmetros e níveis de bem-estar, na optimização de modelos de cultivo incorporando tecnologia com recurso a energias alternativas, modelo na resposta imunitária face a diferentes condições de cultivo e diferentes patógenos.
A investigação tem sido desenvolvida no âmbito de projectos científicos de programas de financiamento nacionais e internacionais.