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A actividade científica na EPPO é financiada por:

Macro Algas –

Macroalga

PT - macroalgas EN – macroalgae ES – macroalgas NL – macroalgen

As macroalgas são parte fundamental da biodiversidade marinha, crescendo em diversos ambientes desde a zona costeira intertidal até mais de 30m de profundidade, sendo a maior parte sésseis enquanto outras espécies flutuam livremente. São organismos aquáticos eucariotas, com clorofila, que realizam fotossíntese não possuindo verdadeiras raízes ou folhas. São organismos macroscópicos, cujas dimensões podem variar de poucos mm até mais de 30m. A classificação em diferentes grupos assenta em várias das suas características morfológicas e reproductivas, bem como na sua composição.

As macroalgas dividem-se em 3 grupos: Clorófitas (algas verdes), Rodófitas (algas vermelhas) e Feófitas (algas castanhas).

A composição das macroalgas é influenciada pelo ambiente em que vivem, obtendo-se por isso algumas moléculas diferentes das fornecidas pelas plantas terrestres.

Tradicionalmente, a utilização das macroalgas como alimento, como fertilizante ou na prática da medicina, baseava-se na apanha em habitats naturais. Com o aumento da procura, o cultivo das macroalgas, iniciado há mais de dois séculos no Japão, foi-se desenvolvendo principalmente na Ásia, e, actualmente, várias espécies são cultivadas em todo o Mundo. A utilização das macroalgas na alimentação em Portugal, era modesta, mas o seu uso como fertilizante (moliço e sargaço) e, especialmente, como matéria-prima para a indústria do agar, têm uma longa e importante história.

A indústria mundial de macroalgas tinha em 2016 o valor de $10.6 biliões. Em parte justificado por algumas espécies de macroalgas apresentarem na sua composição moléculas de elevado valor biológico, com aplicação em diversas indústrias, aliado ao facto de utilizarem CO2 e nutrientes para o seu crescimento, entre outros serviços ambientais, tem desencadeado um interessa no cultivo destes organismos.

É claro, o aumento na procura de macroalgas e/ou productos derivados para várias indústrias, incluindo alimento para animais e humanos, bioplásticos, bio-estimulantes, cosmética e farmacêutica. As macroalgas providenciam também serviços de bioremediação, aumentando consideravelmente a sua importância ambiental.

Além disso o cultivo de macroalgas reduz a pressão nas populações selvagens, contribui para o aumento da biodiversidade e mitigação das alterações climáticas. Apesar de em Portugal e restante UE, o seu cultivo estar ainda numa fase inicial, existe oportunidade para expansão, sendo uma componente chave da Estratégia de Crescimento Azul e da Agenda para Desenvolvimento Sustentável da ONU.

Macroalga rodófitaFig.1: Macroalga rodófita, Plocamium cartilagineum, com cistocarpos desenvolvidos, dentro do qual de desenvolvem os carpoesporos; pormenor de carpoesporos libertados, ampliados 400x.

Maternidade de macroalgasFig.2: Maternidade de macroalgas: cultivo da macroalga feófita, Saccorhiza polyschides, em cordas, para posterior instalação em sistemas de cultivo em mar aberto. Pormenor das pequenas algas (dimensão inferior a 1 mm) em crescimento.

Cultivo da macroalgas clorófitaFig.3: Cultivo da macroalgas clorófita, Ulva sp., em IMTA nos tanques de terra da EPPO.

Investigação

A investigação no cultivo de macroalgas na EPPO é relativamente recente, e inclui duas linhas de cultivo, em terra e mar aberto, de diversas espécies da nossa costa (ex Ulva sp. Plocamium sp., Sphaerococcus sp.). Em paralelo ao estudo e melhoramento de técnicas para obtenção de biomassa com valor comercial os serviços ambientais da produção são também investigados. Em particular a produção de macrolagas em Sistemas Multi-Tróficos Integrados, onde o cultivo de espécies alimentadas a ração (ex peixe) é integrado com o cultivo de espécies extrativas (ex macroalgas), que removem nutrientes enquanto produzem biomassa. Também o potencial do cultivo de macroalgas em relação à mitigação das alterações climáticas é reconhecido, embora ainda não completamente quantificado, nomeadamente sequestro de carbono, diminuição da acidificação dos oceanos e anoxia.