
As contas dos ecossistemas marinhos são um conjunto de novos módulos de contas económicas do ambiente introduzido no sistema económico europeu no final de 2024, concebido para prestar informações coerentes sobre a extensão, o estado e os serviços dos ecossistemas marinhos para o sistema socioeconómico. Até ao final de 2026, Portugal deverá reportar estas novas contas ao Gabinete de Estatísticas da União Europeia (Eurostat) para toda a extensão do território nacional, incluindo o seu espaço marítimo.
O Instituto Nacional de Estatística (INE) é responsável pela produção das contas dos ecossistemas marinhos, cabendo ao IPMA apoiar esta entidade na definição de uma metodologia para a inclusão dos ecossistemas marinhos nas Contas Nacionais1.
1 Resolução do Conselho de Ministros (RCM) nº 121/2024, de 2 de setembro.
Os países da União Europeia devem reportar três tipos de contas dos ecossistemas:
Portugal é Mar! Portugal é uma das maiores nações marítimas do mundo, com aproximadamente 97% do seu território situado no oceano. A sua área marinha é mais de 40 vezes superior à terrestre, estendendo-se por profundidades médias superiores a 3500 metros. O Espaço Marítimo Nacional cobre c. de 4 milhões de km2, aproximadamente a área terrestre da União Europeia, e estende-se além da Crista Média Atlântica, o que confere a Portugal uma grande centralidade na bacia do Atlântico Norte.
Enquanto nação marítima, Portugal assumiu um conjunto de compromissos nacionais e internacionais relativos à monitorização, à proteção, ao restauro dos ecossistemas marinhos e à exploração sustentável dos seus recursos, nomeadamente:
O desenvolvimento das contas dos ecossistemas marinhos é também fundamental para apoiar a tomada de decisão na gestão efetiva e eficiente dos recursos naturais e no planeamento estratégico relativamente às atividades a desenvolver no Espaço Marítimo Nacional, dando, simultaneamente, mais visibilidade à riqueza, diversidade e importância dos ecossistemas marinhos e uma melhor compreensão e maior reconhecimento do seu valor como capital natural.
Este processo assume uma relevância estratégica no contexto da designação de áreas marinhas protegidas (AMP) em zonas oceânicas. Estas áreas e o conjunto dos ecossistemas presentes fornecem um conjunto de serviços fundamentais, desde a regulação do clima até ao suporte à biodiversidade e à atividade económica sustentável. Quando esses serviços são comprometidos ou degradados, o prejuízo resultante – ambiental, social e económico – supera largamente qualquer ganho de curto prazo. Neste contexto, este trabalho enquadra-se no Projeto Áreas Marinhas Protegidas Oceânicas, financiado pelo Fundo Azul, que está a ser promovido pelo IPMA e pela Direção-Geral de Recursos Naturais, Segurança e Serviços Marítimos (DGRM).
Este trabalho conta com a participação de uma equipa de investigadores do IPMA, coordenada por um grupo que atua em estreita articulação com o INE. Diversas entidades têm colaborado ativamente no seu desenvolvimento, nomeadamente organismos do Estado e agências da administração central como a Direção-Geral de Recursos Naturais, Segurança e Serviços Marítimos (DGRM), a Estrutura de Missão para a Extensão da Plataforma Continental (EMEPC), o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), o Instituto Hidrográfico (IH), e entidades regionais da Madeira e dos Açores, respetivamente, a Direção Regional do Ambiente e Mar da Madeira (DRAM) e a Direção Regional das Políticas Marítimas dos Açores (DRPM). A iniciativa conta ainda com o contributo valioso de vários investigadores do meio académico a nível nacional, assegurando uma abordagem técnica e científica robusta: Centro de Ciências do Mar da Universidade do Algarve (CCMAR/UAlg), Centro de Estudos do Ambiente e do Mar da Universidade de Aveiro (CESAM), Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha e Ambiental da Universidade do Porto (CIIMAR/UPorto), Centro de Ciências do Mar e do Ambiente da Universidade de Lisboa (MARE/ULisboa), Nova School of Business and Economics (NOVA/SBE), Institute of Marine Sciences da Universidade dos Açores (OKEANOS/UAçores) e Universidade de Coimbra. Participam também especialistas em finanças (Sociedade de Avaliação de Empresas e Risco, Lda – SAER e International Finance Corporation do World Bank Group).
Os primeiros resultados foram apresentados num “Side Event” ” da Conferência do Oceano das Nações Unidas (UNOC), que decorreu em junho de 2025, em Nice, França, e resumidos neste documento . Pode também consultar esses resultados no visualizador “Ocean Accounts” na plataforma SomosAtlântico .
Os resultados da abordagem preliminar à conta dos serviços dos ecossistemas marinhos, focada no serviço de absorção de carbono pelo mar português, até ao limite exterior da Zona Económica Exclusiva, foram apresentados na COP30 da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre as Alterações Climáticas (UNFCCC), que decorreu em novembro de 2025, em Belém, no Brasil.
O foco mais recente da análise é na área da Reserva Marinha Rei D. Carlos. Este documento resume os principais resultados dessa análise.
Se desejar mais informações, escreva-nos para oceanaccounts ipma.pt